Meia de BC 2026: 2h00'08 e a primeira da mandala fechada
Primeira da mandala fechada. 2h00'08" no chip, oito segundos pro sub-2, mais de dois minutos abaixo do limite mais agressivo da minha planilha.
Negative split em três blocos saiu como projetado. A Estrada da Rainha veio sem caminhar nenhuma vez. Saiu o plano e saiu mais.
Se você acompanhou o preview da prova, aqui é o relato em cima do que aconteceu de fato no domingo 26/04. Pace real, plano que bateu, plano que ficou pra trás, e o que fica pra próxima.
Neste post
Largada na chuva e no escuro
A previsão do Climatempo de 24/04 já tinha desenhado o cenário: 91% de chuva e 14mm no domingo. Acertou. A chuva entrou cedo e ficou comigo a prova inteira, sempre fraca. Não atrapalhou correr em nenhum momento. Só ficou a pena de não ver o nascer do sol pela orla (em BC seria por volta de 6h36), porque o céu fechou o tempo todo.
Largada às 6h00 com o pelotão geral indo às 6h01. Ainda noite. O cenário virou o oposto do que eu tinha imaginado (orla iluminada pelo sol nascendo): pista molhada, faróis dos carros refletindo no asfalto, todo mundo encharcado já nos primeiros minutos.
Os primeiros 2 km pegaram as duas pistas da Av. Atlântica, com espaço pra todo mundo. Quando afunila pra uma pista só, o pelotão já tinha aberto naturalmente e não senti aperto. O desenho do gargalo da largada estava bem pensado.
Vomero Plus ou Megablast: a dúvida do tênis
Quem acompanha meu Instagram viu eu pedindo opinião na semana da prova: ia de Vomero Plus ou de Megablast?
A previsão de chuva mexeu com a decisão. O Vomero Plus é o tênis em que treinei o ciclo inteiro, mais confortável e que meu corpo já conhecia. O receio era de ele absorver mais umidade na chuva e ficar pesado no fim da prova. O Megablast era a aposta alternativa, com perfil que poderia segurar menos água.
Decidi pelo Vomero Plus. Dois motivos:
- Confiança no equipamento que treinou comigo. Trocar tênis no dia da prova é risco que vale evitar. 21 km na chuva com sapato menos rodado é multiplicador de problema.
- Conforto. O ciclo todo de treino foi nele. O corpo já conhecia a pisada.
Foi a escolha certa. O Vomero Plus aguentou bem a chuva, não pesou no fim, e terminei sem desconforto, atrito ou bolha. Confirmou a regra: o tênis que você treina é o tênis que você corre.
Estrada da Rainha sem caminhar
A subida que decide a prova é a Estrada da Rainha. Eu já esperava ela ali pelo km 7 (o tamanho da praia entrega o cálculo). Subi as duas faces correndo, sem caminhar nenhuma vez.
| Passagem | Trecho | Pace |
|---|---|---|
| 1ª (ida, mais curta e íngreme) | km 6 e 7 | 6:30 e 6:18 |
| 2ª (volta, mais longa e menos íngreme) | km 15 e 16 | 5:50 e 6:44 |
A 1ª face concentra o ganho na entrada do km 6 e alivia no km 7. A 2ª face é mais espalhada: dá pra manter pace de prova no km 15 e a cobrança aparece no km 16.
Quando passei o topo da segunda subida e bati a descida final, foi o momento em que percebi que tinha mais perna do que esperava. Foi ali que decidi soltar o pace nos últimos 5 quilômetros.
A planilha bateu
O Samuka montou a planilha em três blocos com janela de pace pra cada um. O plano era negative split: começa contido, segura no meio, acelera no fim.
Os três blocos saíram mais rápidos que o limite inferior da janela.
| Trecho | Planilha | Real | Parcial |
|---|---|---|---|
| Km 1 a 5 | 6:00 a 6:05 | 5:53 | 29:25 |
| Km 6 a 15 | 5:50 a 6:00 | 5:52 | 58:37 |
| Km 16 a 21,15 | 5:40 a 5:45 | 5:16 | 32:14 |
O bloco 1 saiu 7 segundos por km abaixo do limite mais rápido. O bloco 2 sentou no centro da janela, com as duas subidas da Rainha (km 6-7) já dentro dele. O bloco 3, com a 2ª subida no km 16 e a sensação de “sobrou perna” depois dela, saiu 24 segundos por km abaixo do plano. Sem o km 16 (a subida na volta), o pace dos últimos 5 km fechou em 4:58.
Resultado oficial (Chip Timing):
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Tempo líquido (chip) | 2h00’08” |
| Tempo bruto | 2h04’20” |
| Pace médio | 5:43 min/km |
| Colocação geral | 615 |
| Colocação M40-44 | 112ª |
Garmin (gravado pelo relógio):
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Tempo total | 2h00’16” |
| Distância | 21,15 km |
| FC média | 151 bpm |
| FC máxima | 174 bpm |
| Cadência média | 166 spm |
| Ganho total | 139 m |
| Calorias | 1706 |
A meta da planilha estava entre 2h02’49” e 2h05’28”. O cronômetro fechou 2 minutos e 41 segundos abaixo do limite mais agressivo da janela.
Splits km a km (Garmin)
| KM | Pace | FC | KM | Pace | FC |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 5:52 | 136 | 12 | 5:41 | 151 |
| 2 | 5:50 | 141 | 13 | 5:36 | 152 |
| 3 | 5:55 | 141 | 14 | 5:34 | 150 |
| 4 | 5:57 | 141 | 15 | 5:50 | 152 |
| 5 | 5:50 | 143 | 16 | 6:44 | 155 |
| 6 | 6:30 | 149 | 17 | 5:11 | 158 |
| 7 | 6:18 | 149 | 18 | 5:07 | 160 |
| 8 | 5:46 | 147 | 19 | 5:03 | 162 |
| 9 | 5:52 | 150 | 20 | 4:48 | 164 |
| 10 | 5:41 | 150 | 21 | 4:43 | 169 |
| 11 | 5:50 | 150 |
Linhas em negrito: as duas faces da Estrada da Rainha. FC subiu em curva natural (135 a 168) sem disparar antes da hora. O sprint final no km 21 fechou a 4:43 de pace com FC máxima 174.
Os oito segundos
Faltaram oito segundos pro sub-2.
Não é mais um número agora: é a linha de largada da próxima. Tem Meia Oakberry Floripa em 3 de maio, mais quatro etapas da mandala até setembro, e o sub-2 entra como meta concreta pra alguma delas. O corpo respondeu além do que a planilha pediu, então o ajuste pra atacar é sequência de treino, não milagre.
Nutrição e hidratação funcionaram
Esse foi o bloco em que segui o plano à risca, e foi o que rendeu.
Noite anterior: sanduíche com carne. Carbo simples e proteína, nada exótico.
Manhã da prova:
- Banana
- Barra de aveia
- Dobro NIT 400 (beterraba)
- 1 YoPro (23g de proteína)
Durante a prova:
- 3 géis Z2: dois carbo nos primeiros dois terços, um com taurina e cafeína na reta final pra dar gás
- 1 sal de dissolver Z2 (500mg)
- Hidratação em quase todos os pontos do percurso. Não precisei levar água
A organização entregou bem o apoio: água a cada 1,5 a 2 km, isotônico nos pontos certos (km 11.9 logo depois do topo da Rainha, km 17.9 na reta final), banheiros sem fila quando precisei. Esse pilar da prova não falhou em nada.
A chegada veio antes do que eu esperava
Estudei o percurso no preview achando que largada e chegada eram exatamente no mesmo ponto, lá na Barra Sul. No dia, descobri que a chegada ficava na arena, cerca de 500 metros antes da Barra Sul no sentido do percurso. A distância oficial fechou 21,09 km, certinho.
Resultado: nos últimos quilômetros eu estava preparado mentalmente pra cruzar a linha mais à frente. Quando a arena apareceu, sobrou perna em vez de eu ter que forçar. Ajudou o pace final.
Organização: arena, festa e estrutura no ponto
O domingo da prova entregou tudo:
- Arena bem montada, com várias assessorias presentes, stands legais e shows
- Apoio no percurso sem falhas (água, isotônico, banheiros)
- Largada pontual e bem distribuída por ondas
- Tempo limite de 3h suficiente pra todo mundo terminar dentro da janela
Pra uma prova que estreou como etapa oficial do Circuito Catarinense em 2026 e atraiu mais de 5 mil atletas no fim de semana, o domingo do 21k foi uma execução exemplar. Parabéns à organização.
O que vale registrar pra 2027
O sábado teve um detalhe que vale a organização olhar com carinho pra próxima edição. Os 5k e 10k correram no fim da tarde na areia da Barra Sul, e o desenho do percurso ficou desafiador: depois do alargamento da praia, a faixa de areia dura e molhada ficou estreita e inclinada, e o resto é areia muito fofa. Os pontos de hidratação ficavam no calçadão, a uns 50 metros do percurso, então quem queria beber tinha que sair da rota e voltar.
Houve casos de corredores passando mal. É um ponto que vale a organização pensar pra 2027: ajustar layout, aproximar a hidratação da rota, ou avaliar migrar pro asfalto como o 21k já é. O charme da prova na areia continua intacto, e o ajuste fino só faz ela render ainda melhor.
Próxima da mandala: Floripa Oakberry, 3 de maio
Domingo que vem é a segunda etapa: Meia Oakberry de Florianópolis, dia 03/05. Sete dias entre uma prova e outra, então a semana é de regenerativo e logística mais do que treino.
Volto aqui com o relato da Oakberry. E o sub-2 fica de olho no calendário.
Se você correu a Meia de BC esse ano, conta nos comentários como foi a sua prova: o que funcionou, onde pegou. E se você está montando a sua mandala (Catarinense ou outra), o relato e o preview da prova somam pra você chegar com plano da próxima vez.
Fontes
- Resultado oficial: certificado finisher Chip Timing / FIBRA Sports, Meia Maratona Internacional de Balneário Camboriú 2026
- Preview da prova, com plano de pace, percurso, altimetria, hidratação e clima
- Samuka, assessoria responsável pela planilha de prova
- Site oficial da Meia de BC 2026
- Calendário 2026 do Circuito Catarinense
Imagens:
- Hero (orla com FG Big Wheel ao fundo): Foto Luann Carvalho / Foco Radical
- Av. Atlântica nos primeiros km com skyline: Foto Cleiton Benkendorf / Foco Radical
Siga o Tênis e Milhas
Os próximos previews de prova, treinos e viagens saem primeiro por aqui: