Relato 30 de abril de 2026

Meia de BC 2026: 2h00'08 e a primeira da mandala fechada

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Meia de BC 2026: 2h00'08 e a primeira da mandala fechada
Foto: Luann Carvalho / Foco Radical

Primeira da mandala fechada. 2h00'08" no chip, oito segundos pro sub-2, mais de dois minutos abaixo do limite mais agressivo da minha planilha.

Negative split em três blocos saiu como projetado. A Estrada da Rainha veio sem caminhar nenhuma vez. Saiu o plano e saiu mais.

Se você acompanhou o preview da prova, aqui é o relato em cima do que aconteceu de fato no domingo 26/04. Pace real, plano que bateu, plano que ficou pra trás, e o que fica pra próxima.

Neste post

Largada na chuva e no escuro

A previsão do Climatempo de 24/04 já tinha desenhado o cenário: 91% de chuva e 14mm no domingo. Acertou. A chuva entrou cedo e ficou comigo a prova inteira, sempre fraca. Não atrapalhou correr em nenhum momento. Só ficou a pena de não ver o nascer do sol pela orla (em BC seria por volta de 6h36), porque o céu fechou o tempo todo.

Largada às 6h00 com o pelotão geral indo às 6h01. Ainda noite. O cenário virou o oposto do que eu tinha imaginado (orla iluminada pelo sol nascendo): pista molhada, faróis dos carros refletindo no asfalto, todo mundo encharcado já nos primeiros minutos.

Os primeiros 2 km pegaram as duas pistas da Av. Atlântica, com espaço pra todo mundo. Quando afunila pra uma pista só, o pelotão já tinha aberto naturalmente e não senti aperto. O desenho do gargalo da largada estava bem pensado.

Correndo na Avenida Atlântica de Balneário Camboriú nos primeiros quilômetros, com o skyline da cidade ao fundo
Av. Atlântica nos primeiros quilômetros, skyline de BC fechando atrás. Foto: Cleiton Benkendorf / Foco Radical.

Vomero Plus ou Megablast: a dúvida do tênis

Quem acompanha meu Instagram viu eu pedindo opinião na semana da prova: ia de Vomero Plus ou de Megablast?

A previsão de chuva mexeu com a decisão. O Vomero Plus é o tênis em que treinei o ciclo inteiro, mais confortável e que meu corpo já conhecia. O receio era de ele absorver mais umidade na chuva e ficar pesado no fim da prova. O Megablast era a aposta alternativa, com perfil que poderia segurar menos água.

Decidi pelo Vomero Plus. Dois motivos:

  1. Confiança no equipamento que treinou comigo. Trocar tênis no dia da prova é risco que vale evitar. 21 km na chuva com sapato menos rodado é multiplicador de problema.
  2. Conforto. O ciclo todo de treino foi nele. O corpo já conhecia a pisada.

Foi a escolha certa. O Vomero Plus aguentou bem a chuva, não pesou no fim, e terminei sem desconforto, atrito ou bolha. Confirmou a regra: o tênis que você treina é o tênis que você corre.

Estrada da Rainha sem caminhar

A subida que decide a prova é a Estrada da Rainha. Eu já esperava ela ali pelo km 7 (o tamanho da praia entrega o cálculo). Subi as duas faces correndo, sem caminhar nenhuma vez.

PassagemTrechoPace
1ª (ida, mais curta e íngreme)km 6 e 76:30 e 6:18
2ª (volta, mais longa e menos íngreme)km 15 e 165:50 e 6:44

A 1ª face concentra o ganho na entrada do km 6 e alivia no km 7. A 2ª face é mais espalhada: dá pra manter pace de prova no km 15 e a cobrança aparece no km 16.

Quando passei o topo da segunda subida e bati a descida final, foi o momento em que percebi que tinha mais perna do que esperava. Foi ali que decidi soltar o pace nos últimos 5 quilômetros.

A planilha bateu

O Samuka montou a planilha em três blocos com janela de pace pra cada um. O plano era negative split: começa contido, segura no meio, acelera no fim.

Os três blocos saíram mais rápidos que o limite inferior da janela.

TrechoPlanilhaRealParcial
Km 1 a 56:00 a 6:055:5329:25
Km 6 a 155:50 a 6:005:5258:37
Km 16 a 21,155:40 a 5:455:1632:14

O bloco 1 saiu 7 segundos por km abaixo do limite mais rápido. O bloco 2 sentou no centro da janela, com as duas subidas da Rainha (km 6-7) já dentro dele. O bloco 3, com a 2ª subida no km 16 e a sensação de “sobrou perna” depois dela, saiu 24 segundos por km abaixo do plano. Sem o km 16 (a subida na volta), o pace dos últimos 5 km fechou em 4:58.

Resultado oficial (Chip Timing):

MétricaValor
Tempo líquido (chip)2h00’08”
Tempo bruto2h04’20”
Pace médio5:43 min/km
Colocação geral615
Colocação M40-44112ª

Garmin (gravado pelo relógio):

MétricaValor
Tempo total2h00’16”
Distância21,15 km
FC média151 bpm
FC máxima174 bpm
Cadência média166 spm
Ganho total139 m
Calorias1706

A meta da planilha estava entre 2h02’49” e 2h05’28”. O cronômetro fechou 2 minutos e 41 segundos abaixo do limite mais agressivo da janela.

Splits km a km (Garmin)

KMPaceFCKMPaceFC
15:52136125:41151
25:50141135:36152
35:55141145:34150
45:57141155:50152
55:50143166:44155
66:30149175:11158
76:18149185:07160
85:46147195:03162
95:52150204:48164
105:41150214:43169
115:50150

Linhas em negrito: as duas faces da Estrada da Rainha. FC subiu em curva natural (135 a 168) sem disparar antes da hora. O sprint final no km 21 fechou a 4:43 de pace com FC máxima 174.

Os oito segundos

Faltaram oito segundos pro sub-2.

Não é mais um número agora: é a linha de largada da próxima. Tem Meia Oakberry Floripa em 3 de maio, mais quatro etapas da mandala até setembro, e o sub-2 entra como meta concreta pra alguma delas. O corpo respondeu além do que a planilha pediu, então o ajuste pra atacar é sequência de treino, não milagre.

Nutrição e hidratação funcionaram

Esse foi o bloco em que segui o plano à risca, e foi o que rendeu.

Noite anterior: sanduíche com carne. Carbo simples e proteína, nada exótico.

Manhã da prova:

  • Banana
  • Barra de aveia
  • Dobro NIT 400 (beterraba)
  • 1 YoPro (23g de proteína)

Durante a prova:

  • 3 géis Z2: dois carbo nos primeiros dois terços, um com taurina e cafeína na reta final pra dar gás
  • 1 sal de dissolver Z2 (500mg)
  • Hidratação em quase todos os pontos do percurso. Não precisei levar água

A organização entregou bem o apoio: água a cada 1,5 a 2 km, isotônico nos pontos certos (km 11.9 logo depois do topo da Rainha, km 17.9 na reta final), banheiros sem fila quando precisei. Esse pilar da prova não falhou em nada.

A chegada veio antes do que eu esperava

Estudei o percurso no preview achando que largada e chegada eram exatamente no mesmo ponto, lá na Barra Sul. No dia, descobri que a chegada ficava na arena, cerca de 500 metros antes da Barra Sul no sentido do percurso. A distância oficial fechou 21,09 km, certinho.

Resultado: nos últimos quilômetros eu estava preparado mentalmente pra cruzar a linha mais à frente. Quando a arena apareceu, sobrou perna em vez de eu ter que forçar. Ajudou o pace final.

Organização: arena, festa e estrutura no ponto

O domingo da prova entregou tudo:

  • Arena bem montada, com várias assessorias presentes, stands legais e shows
  • Apoio no percurso sem falhas (água, isotônico, banheiros)
  • Largada pontual e bem distribuída por ondas
  • Tempo limite de 3h suficiente pra todo mundo terminar dentro da janela

Pra uma prova que estreou como etapa oficial do Circuito Catarinense em 2026 e atraiu mais de 5 mil atletas no fim de semana, o domingo do 21k foi uma execução exemplar. Parabéns à organização.

O que vale registrar pra 2027

O sábado teve um detalhe que vale a organização olhar com carinho pra próxima edição. Os 5k e 10k correram no fim da tarde na areia da Barra Sul, e o desenho do percurso ficou desafiador: depois do alargamento da praia, a faixa de areia dura e molhada ficou estreita e inclinada, e o resto é areia muito fofa. Os pontos de hidratação ficavam no calçadão, a uns 50 metros do percurso, então quem queria beber tinha que sair da rota e voltar.

Houve casos de corredores passando mal. É um ponto que vale a organização pensar pra 2027: ajustar layout, aproximar a hidratação da rota, ou avaliar migrar pro asfalto como o 21k já é. O charme da prova na areia continua intacto, e o ajuste fino só faz ela render ainda melhor.

Próxima da mandala: Floripa Oakberry, 3 de maio

Domingo que vem é a segunda etapa: Meia Oakberry de Florianópolis, dia 03/05. Sete dias entre uma prova e outra, então a semana é de regenerativo e logística mais do que treino.

Volto aqui com o relato da Oakberry. E o sub-2 fica de olho no calendário.

Se você correu a Meia de BC esse ano, conta nos comentários como foi a sua prova: o que funcionou, onde pegou. E se você está montando a sua mandala (Catarinense ou outra), o relato e o preview da prova somam pra você chegar com plano da próxima vez.

Fontes

Imagens:

  • Hero (orla com FG Big Wheel ao fundo): Foto Luann Carvalho / Foco Radical
  • Av. Atlântica nos primeiros km com skyline: Foto Cleiton Benkendorf / Foco Radical

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