Relato 02 de maio de 2026

Desafio 31k Floripa: a medalha que mudou meu plano de prova

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Desafio 31k Floripa: a medalha que mudou meu plano de prova
Foto: Buru Casal do Rock
Neste post

Sexta-feira: a medalha que mudou o plano

Eu cheguei em Floripa com plano fechado: atacar o sub-2 no 21k que escapou por 8 segundos na Meia de BC sete dias antes. A meta era cirúrgica: mesma planilha do Samuka, mesmo tênis, mesma estratégia de negative split em três blocos. Em momento nenhum o Desafio 31k Floripa tinha entrado no meu radar — eu nem sabia que ele existia.

A retirada de kit é no Villa Romana Shopping. Subi pro piso G2 na sexta à tarde e foi ali que o plano caiu.

A medalha do Desafio 31k Floripa estava exposta. É uma peça grande, com camada extra que se encaixa nas medalhas dos 10k e 21k pra formar o conjunto completo. As três juntas têm um visual que nenhuma das duas isoladas alcança. A coleção tem efeito.

Saí do shopping com a decisão tomada: vou correr o desafio.

A logística: kit vendido, kit comprado

Tem um detalhe operacional que vale registrar: a organização não permite upgrade oficial de 21k pra 31k na retirada do kit. Quem se inscreveu na meia, fica na meia.

A solução veio pelo mercado paralelo de inscrições, em grupo de WhatsApp da galera da prova:

  • Vendi meu kit do 21k por R$ 280 pra um corredor que tinha desistido de comprar.
  • Comprei o kit do Desafio 31k de outro atleta que tinha se inscrito mas não conseguiu vir, por R$ 330.
  • Custo líquido da troca: R$ 50.

Cinquenta reais pra ter a medalha extra, somar 10 km ao fim de semana e testar volume back-to-back de 31 km em 24 horas. Não é pouco e não é muito — é o preço de um decision call de sexta à tarde quando você já está com a passagem comprada e o corpo treinado.

Importante pra quem for fazer algo parecido em outra prova: sempre confirme transferência oficial via plataforma de inscrição quando possível. Kit “passado de mão” no escuro, sem atualização de cadastro, pode dar problema na cronometragem ou na conferência de identidade na largada.

Carb load com Rafa Caviquioli

Plano de prova mudou e a alimentação também. Mandei mensagem pro Rafa Caviquioli (@rafael_caviquioli), nutricionista que acompanha corredores de endurance, e ele ajustou o carb load pro fim de semana.

Diferença em relação a uma prova solo: com 10k no sábado de manhã e 21k no domingo de manhã, a janela de recarga entre as duas provas é apertada. O corpo queima boa parte do glicogênio no 10k, descansa por ~24 horas, e tem que estar pronto pra rodar 21 km no dia seguinte.

A planilha que ele mandou cobriu o fim de semana inteiro: o que comer e quando, dos dias antes do 10k até o café da manhã da meia, com janela específica de reposição entre as duas provas.

Não vou abrir o detalhe número a número aqui porque o que vale pra mim (peso, gasto calórico, ritmo de corrida) não serve pra você como receita. O ponto é outro: ter um nutricionista esportivo no fluxo de decisão de última hora foi o que destravou pra eu não chegar inseguro na meia. Sem o Rafa montando a janela de reposição entre as duas provas, eu provavelmente teria recuado e ficado só no 21k pra não arriscar a fadiga.

O 10k de hoje: 58’36” segurando o cavalo

A largada do 10k saiu às 6h45 do Trapiche da Beira-Mar Norte. Frio bom, ~14 °C, sem chuva, vento leve. Pista molhada de orvalho, mas sem comprometer aderência.

A foto do hero deste post foi feita pelos fotógrafos da prova nos primeiros quilômetros, ainda na Beira-Mar. Caminhão de pelotão grande, mas sem aperto.

A meta era segurar pace — 10k é distância em que a tentação de soltar é alta, e com 21 km no dia seguinte qualquer cinco segundos por km a mais hoje vira trinta segundos perdidos amanhã. Plano: rodar entre 5:45 e 5:55 min/km, FC abaixo de 150, sem nenhum quilômetro abaixo de 5:30 até o km 9.

Saiu o plano e saiu mais. Resultado oficial:

MétricaValor
Tempo líquido (chip)58’36”
Pace médio5:51 min/km
Distância oficial10,0 km

Garmin (gravado pelo relógio):

MétricaValor
Tempo total59’04”
Distância10,29 km
FC média142 bpm
FC máxima166 bpm
Cadência média164 spm
Passada média1,06 m
Ganho total11 m
Calorias811 kcal

Splits km a km

KMPaceFC avgFC max
16:14133137
25:55136141
35:46140146
45:47140145
55:44142147
65:34147155
75:50144149
85:49142145
95:44144156
105:15148158

Do km 1 (6:14) ao km 10 (5:15), pace caiu 59 segundos por quilômetro sem que a FC nunca passasse de 158 bpm fora do sprint final. O km 10 saiu rápido naturalmente, sem forçar — sinal de que sobrou perna. Que é exatamente o que eu queria pra amanhã.

Comparação com a BC há 7 dias:

ProvaPace médioFC médiaFC máx
Meia BC (21k, 26/04)5:43 min/km151 bpm174 bpm
10k Oakberry (02/05)5:51 min/km142 bpm166 bpm

Hoje rodei 8 segundos por km mais lento que o pace de meia da BC, com FC 9 batimentos abaixo. Esforço sub-aeróbico pra um 10k. Era pra ser assim.

Recovery entre as duas provas

Voltei pro hotel direto. Almoço do plano do Rafa, alongamento básico, e os dois pilares físicos da tarde:

  • Bota de compressão pneumática: 30 minutos com pressão alta, especialmente em panturrilha e quadríceps. A bota empurra circulação que o corpo demoraria horas pra fazer sozinho.
  • Rolo de liberação miofascial: foco em quadríceps, isquiotibiais, glúteos e fáscia plantar. Sem inventar técnica nova — mesmo protocolo dos treinos longos.

À tarde, hidratação contínua + carbo conforme a planilha do Rafa. Sem cafeína depois das 14h, pra não comprometer sono. Jantar leve por volta das 19h. Cama cedo.

21k amanhã com 10 km nas pernas

A pergunta óbvia: como vai correr o 21k amanhã com 10 km do dia anterior nas pernas?

Sinceramente, não sei ainda. Mas tenho hipóteses:

  1. Sub-2 sai do alvo amanhã. Não compensa atacar pace de 5:40 min/km com glicogênio parcialmente usado e fadiga residual. Sub-2 fica pra outra etapa da mandala, com semana de prova solo.
  2. Plano novo: terminar inteiro, sem caminhar, FC controlada. Meta amanhã é fechar os 31 km do desafio sem entregar o corpo. Pace estimado: 5:55 a 6:05 min/km — entre o pace de hoje e o limite superior da janela da BC.
  3. Hidratação e gel mais agressivos. Com glicogênio reduzido, dependo mais de carbo no percurso. Vou usar 4 géis (1 a mais que na BC) e pegar isotônico em todos os pontos.

Resultado real só sai amanhã ao meio-dia. Volto aqui com o relato.

O que muda na mandala

A primeira da mandala (BC) saiu com 2h00’08, oito segundos do sub-2. A segunda (Oakberry, amanhã) vai sair com pace contido por causa do desafio. A janela do sub-2 se reabre nas próximas etapas:

  • Chapecó (02/08) — etapa 4
  • Maratona Internacional Floripa 21k (29/08) — etapa 5, com bônus de ser o mesmo percurso da Oakberry
  • Criciúma (27/09) — etapa 6, fecha a temporada

A planilha do Samuka pra meia continua válida. O que muda é a sequência: ataco o sub-2 quando tiver semana de prova limpa, sem 10k no dia anterior. Por enquanto, o desafio 31k vale a medalha extra.

Cinquenta reais e uma decisão de sexta

Resumindo o caminho até o Desafio 31k Floripa: vi a medalha na sexta, troquei kit por R$ 50 líquidos, ajustei nutrição com nutricionista esportivo, fiz 58’36” no 10k segurando pace, recovery completo, e amanhã largo a meia com 10 km nas pernas e a meta de fechar o desafio inteiro.

Não foi a decisão “certa” no sentido técnico — sub-2 escapa por mais uma prova. Foi a decisão interessante, que é o que normalmente justifica documentar. Migrar pro Desafio 31k Floripa custou cinquenta reais e cinco minutos de conversa de WhatsApp; a coleção da medalha valeu cada um deles.

Se você também correu o 10k hoje, ou também migrou pro desafio na última hora, conta nos comentários. E se vai correr a meia amanhã, nos vemos no Trapiche às 5h30.

Fontes

Imagens:

  • Hero (Beira-Mar Norte, 10k): Foto Buru Casal do Rock

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