Meia Oakberry Floripa 2026: desafio 31km e sub-2 cravado em 1h55'26
Segunda etapa da mandala fechada com peso dobrado. 1h55'26" no chip do 21k, com 10k de sábado nas pernas e vento sul cobrando a Beira-Mar a corrida inteira. Sub-2 cravado com 4'34" de folga, depois dos oito segundos que faltaram em BC há uma semana.
Esse é o review pós-prova do fim de semana, focado no domingo. Quem quiser o lado pré-prova (a decisão de sexta-feira de migrar pro desafio, a troca de kit por R$50 e o 10k de sábado) tem o relato da decisão e o preview da prova publicados separadamente.
Aqui ficam o 21k com vento sul e a Hercílio Luz iluminada de roxo dos 100 anos, a comparação direta com BC, a recuperação entre as provas, a escolha de tênis e a segunda etapa da mandala 2026 fechada com a medalha exclusiva do desafio 31km.
Neste post
O fim de semana inteiro também virou vídeo no canal:
O ponto de partida do domingo
A semana entre BC e Floripa começou com plano fechado: atacar o sub-2 só no 21k de domingo, polimento de sexta e nada mais. Na sexta à tarde a medalha do desafio 31km estampada com a Hercílio Luz e o “100” do centenário pesou mais que o plano original. Pulei o polimento, troquei o kit por R$50 líquidos, Samuka topou e o Rafael Caviquioli ajustou o carb load do fim de semana.
A história completa da decisão, da troca de kit e do 10k de sábado (chip 00:58:36, pace 5:51, FC 142, 755º geral / 147º M30-34) está no relato da decisão de última hora. Aqui o foco é o domingo.
Domingo: 21k com vento sul e a Hercílio Luz iluminada de roxo
Largada às 9h08 num cenário oposto ao sábado. Céu limpo, sol baixo nos morros do continente, asfalto seco, 16°C com sensação térmica de 12°C, vento sul cravado.
E a Hercílio Luz iluminada de roxo do esquema do centenário acesa do outro lado da baía. O pelotão dos 21k foi pra ela na primeira reta da Beira-Mar com a ponte como pano de fundo, postes ainda acesos no escuro do começo da prova:
O timing foi cinematográfico. A ponte foi inaugurada em 13 de maio de 1926 e completa 100 anos exatamente dez dias depois desse domingo. O mês inteiro de maio tem programação comemorativa em Florianópolis (Abraço à Ponte, exposição de carros antigos, espetáculo de dança “Travessias”, show da Joss Stone, fogos), e a meia abriu o calendário esportivo dessa janela. A medalha do desafio 31km estampa a ponte com o “100” embaixo. Não foi coincidência. O fim de semana foi pensado dentro da virada do centenário.
E na sequência, o sol nasceu pelo continente. Veio sem chuva pra atrapalhar (diferente de BC, onde nasceu fechado), refletindo na Baía Norte calma da manhã:
O percurso da meia é considerado um dos mais rápidos do Brasil, com pouco menos de 50 metros de desnível na altimetria oficial e traçado quase totalmente plano em volta da Beira-Mar Norte, passando por pontos próximos do Elevado Dias Velho e da UFSC. Walace Evangelista cravou novo recorde do percurso (1h03’39”) e Vivian Kiplagati venceu no feminino com 1h13’32”, recorde também. A prova entrou no calendário com Selo Ouro CBAt e Road Race Label da World Athletics, o que coloca os tempos no ranking mundial.
O vento sul foi o antagonista do dia. Veio na ida, na volta, fim. Pra quem corre na Beira-Mar Norte, o vento sul é o que cobra mais: nasce no oceano frio, atravessa a Ponte Hercílio Luz e bate em quem está vindo do Trapiche em sentido sul. Sentiu nos braços, na cara e no pace. Não foi vento que matou prova (nenhum km estourou por causa dele), mas é vento que cobra esforço a mais durante a corrida inteira. A vencedora Vivian Kiplagati comentou na chegada que o vento complicou. Walace, no oposto: “a prova foi perfeita, com ótima organização, e o clima me ajudou hoje”. Os elites em ritmo de 3:00 sentem o vento de outro jeito que nós em 5:30.
A planilha bateu mais rápido que em BC
O Samuka manteve a estrutura de plano da BC: blocos com janela de pace, negative split projetado pro fim. A diferença foi atacar o sub-2 com folga em vez de raspar. Margem aceita por ele depois do desempenho de BC e do Garmin do longão da semana de polimento, que tinha mostrado FC mais leve no mesmo pace alvo.
A ordem foi: contido até o km 14, soltar a partir do 15. Mexi um pouco antes (km 14 a 5:27), mas a comporta de fato abriu no 15.
| KM | Pace | FC | KM | Pace | FC |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 5:47 | 132 | 12 | 5:35 | 141 |
| 2 | 5:48 | 138 | 13 | 5:37 | 142 |
| 3 | 5:51 | 136 | 14 | 5:27 | 144 |
| 4 | 5:52 | 136 | 15 | 5:02 | 145 |
| 5 | 5:37 | 137 | 16 | 4:54 | 149 |
| 6 | 5:40 | 137 | 17 | 4:49 | 152 |
| 7 | 5:33 | 141 | 18 | 4:53 | 153 |
| 8 | 5:45 | 140 | 19 | 4:44 | 156 |
| 9 | 5:36 | 140 | 20 | 4:42 | 158 |
| 10 | 5:34 | 140 | 21 | 4:36 | 165 |
| 11 | 5:34 | 140 |
Os últimos 7 km saíram a pace médio de 4:48 min/km. O km 21 fechou a 4:36 com FC máxima de 165, sprint final na arena.
Receio de quebrar segurou a comporta até o 14. Tinha 10k acumulado das pernas e a noção de que abrir cedo demais com vento sul podia virar pesadelo nos últimos 5. Em retrospecto, dava pra soltar no 12. Os 4’34” de folga abaixo do sub-2 mostram que o motor tinha mais. Fica de aprendizado pro próximo: confiar mais cedo quando os splits do meio mostram FC abaixo do projetado.
Resultado oficial 21k:
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Tempo líquido (chip) | 1h55’26” |
| Pace médio | 5:29 min/km |
| Colocação geral | 1613º |
| Colocação M40-44 | 231º |
Garmin:
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Tempo total | 1h54’05” |
| Distância | 21,09 km |
| FC média / máx | 143 / 166 |
| Cadência média | 168 spm |
| Ganho de elevação | 69 m |
| Calorias | 1589 |
Oakberry vs BC, lado a lado
A leitura mais útil dos números é a comparação direta com a Meia de BC, corrida sete dias antes:
| Métrica | BC (26/04) | Oakberry (03/05) | Δ |
|---|---|---|---|
| Tempo chip | 2h00’08” | 1h55’26” | -4’42” |
| Pace médio | 5:43 | 5:29 | -0:14 |
| FC média | 151 | 143 | -8 bpm |
| FC máxima | 174 | 166 | -8 |
| Cadência | 166 spm | 168 spm | +2 |
| Ganho de elevação | 139 m | 69 m | -70 m |
Mais rápido em quase 5 minutos, com FC média 8 bpm mais baixa, cadência maior e 10k acumulado das pernas. O percurso de Oakberry é mais plano (a metade do desnível de BC), e isso ajuda parte da diferença, mas não toda. O resto é forma de prova subindo: corpo respondendo melhor ao mesmo esforço, sequência de treino consolidada e gestão de FC mais limpa.
Recuperação que pagou a conta no domingo
A janela entre o 10k de sábado e a largada do 21k foi de 23 horas (9h48 → 9h08). O relato da decisão tem o protocolo do Caviquioli e a recovery da tarde de sábado completos. Aqui registro só o que pesou no domingo: rigidez localizada na panturrilha que não saiu na primeira sessão de bota de compressão (manhã) precisou de uma segunda sessão à tarde com foco concentrado nessa região, e ela saiu. Sem essa segunda sessão, os km 16 a 21 a pace abaixo de 5:00 provavelmente não saem. A bota de compressão merece review em separado e vai sair em post de equipamento em breve.
A outra peça que pesou: hotel a 700m da Praça Portugal. Acordar no dia da prova sem dirigir, sem trânsito, com a sapatilha calçada andando até a largada, é variável de recuperação tanto quanto sono. Quem corre desafios em dois dias seguidos, isso não é luxo, é parte do plano.
Tênis: Megablast no 10k, Vomero Plus no 21k
Foi o oposto da decisão de BC. Na semana anterior usei Vomero Plus por causa da chuva e do conforto do corpo conhecer a pisada. Aqui troquei por prova:
Sábado, 10k: Asics Megablast verde fluorescente. Era o tênis que tinha ficado de fora em BC. Era também a oportunidade de testar ele num cenário de prova curta antes de comprometer um 21k. Aguentou bem a chuva, estabilizou bem na pista molhada, transição limpa. Saiu como tênis novo de meia maratona pra mim. Daqui pra frente vai ser ele nas provas de 21k.
Domingo, 21k: Nike Vomero Plus. Continua sendo o tênis de longão e de prova de seguir até a virada de chave do Megablast. Macio, bem amortecido, com retorno energético consistente nos últimos quilômetros. Pra quem passa de 80kg como eu, o Vomero Plus entrega o tipo de proteção que outros modelos mais leves não dão na fadiga acumulada. Tese reforçada nesse domingo: 21,09 km com 10k nas pernas, sem desconforto, sem bolha, sem atrito. Continua sendo a recomendação pra corredor mais pesado que quer um tênis de provas longas que não cobre nas pernas no fim.
A virada de chave (Megablast pra prova, Vomero pra longão e treino pesado) é o aprendizado que sai de Floripa pro resto da mandala 2026.
Floripa que ficou pra próxima
Dois dias devorados pelas duas provas. O sábado fechou em recuperação concentrada (bota, alimentação, descanso). O domingo terminou tarde por causa da arena, dos 31 km nas pernas e da queda de energia natural depois de uma meia maratona.
Resultado: o guia de Floripa que escrevi antes da prova ficou só de mapa pra próxima ida. Lagoa da Conceição, Ribeirão da Ilha, Santo Antônio de Lisboa, Joaquina, nada disso entrou no fim de semana. A regra do guia se confirmou: pra corredor que vai fazer prova, prioridade é proximidade da largada e o turismo cabe melhor em viagem maior. Pra desafio 31km, isso vale em dobro.
A ilha fica como meta de visita aberta. Em agosto volto pra Maratona Internacional Floripa Fibra (29/08), também etapa da mandala, e dessa vez o plano é chegar antes pra dar conta do roteiro turístico que ficou esperando.
Organização: arena no shopping e crítica soft
A 21ª edição entregou estrutura compatível com o tamanho do evento. 30 mil pessoas circulando pela Beira-Mar Norte ao longo dos dois dias, 18 países representados, todos os 26 estados brasileiros e o DF. Era a maior edição da história e exigiu logística pesada.
A retirada de kits no Beiramar Shopping foi a primeira peça pesada. Dia 1 caiu em feriado e a fila era considerável, mas a organização tinha entre 20 e 30 atendentes simultâneos, e a fila andou rápido. A arena depois ficou completa: stands de patrocinadores, área de descanso, kit completo entregue sem ruído.
No percurso, o apoio foi impecável. Hidratação a cada 1,5 a 2 km, isotônico nos pontos certos, gel/carboidrato em pelo menos um ponto durante o 21k, banheiros químicos sem fila quando precisei. A iniciativa de médicos corredores equipados com desfibriladores distribuídos pelo trajeto é um detalhe de segurança que merece registro: faz diferença pra resposta rápida em parada cardíaca, e as provas de massa estão começando a adotar isso como padrão. Boa decisão da Sportsland.
Crítica soft pra próxima edição: alguns trechos do percurso ficaram com uma faixa só pra correr, e isso muvucou em pontos específicos da prova, principalmente nos primeiros quilômetros do 21k antes da abertura natural do pelotão. Com 6 mil atletas no 21k, manter pelo menos duas faixas durante o trecho de aquecimento ajudaria o fluxo da largada. Ponto que vale a organização avaliar pra 2027.
No geral, execução de evento Selo Ouro CBAt + Label World Athletics dentro do esperado. A barra estava alta pela edição histórica, e ela foi cumprida.
Mandala 2 de 5 fechada
Duas etapas fechadas. Faltam três pra completar a mandala 2026.
| Data | Etapa | Cidade | Distância | Status |
|---|---|---|---|---|
| 26/04 | Meia de BC | Balneário Camboriú | 21k | ✓ 2h00’08” |
| 03/05 | Meia Oakberry Floripa | Florianópolis | 21k | ✓ 1h55’26” |
| 02/08 | Meia de Chapecó | Chapecó | 21k | a vir |
| 29/08 | Maratona Internacional Floripa | Florianópolis | 21k | a vir |
| 27/09 | Maratona de Criciúma | Criciúma | 21k | a vir |
Entre a Oakberry e Chapecó tem um intervalo grande, com duas provas avulsas pelo meio (APAE Brusque em 24/05 e Santos Dumont em 28/06, dois 10k) e a Maratona Internacional de Blumenau em 05/07, primeiro 42k da minha vida. A janela de treino até Chapecó dá pra estabilizar a forma e atacar o sub-2 com mais folga. 1h53 entra como meta concreta.
O sub-2 saiu da pendência. O próximo nível é descer dele com método.
Fontes
- Resultados oficiais: certificado finisher Sportsland Runking, Meia Maratona Internacional de Florianópolis Oakberry 2026
- Samuka, assessoria responsável pela planilha de prova
- Rafael Caviquioli, nutricionista esportivo responsável pelo carb load e protocolo de gel
- Mania de Corrida: edição histórica com recorde de público
- De Olho na Ilha: Vivian Kiplagati e Walace Evangelista batem recordes
- Olympics.com: detalhes do percurso e Selo Ouro World Athletics
- SECOM SC: programação dos 100 anos da Hercílio Luz
- Preview da Meia Oakberry Floripa 2026, com percurso, premiação, kit e clima
- Relato da decisão de última hora pelo desafio 31km, publicado sábado à noite com o lado pré-prova
- Relato da Meia de BC 2026, primeira etapa da mandala e base de comparação
- Guia de Floripa pra Meia Oakberry
- Calendário 2026 do Circuito Catarinense
Imagens e vídeos:
- Hero (sprint solto no 21k): Foto Foco Radical
- Pelotão na chuva, Megablast verde, Hercílio Luz dia, sprint final: Fotos Foco Radical (compradas)
- Hercílio Luz iluminada de roxo (vídeo) e sol nascendo na baía: capturas pessoais com Oakley Meta durante a prova
- Medalhas do desafio 31km: foto pessoal pós-prova
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