Maratona Internacional de Blumenau 2026: o plano era segurar, saiu a melhor meia do ano
Neste post
Transmiti a prova ao vivo no canal:
O plano era segurar
Blumenau entrou no calendário como prova de meio de semana pesada, mas não como alvo. O alvo real está no domingo seguinte, 12/07: um 10k que eu quero correr pra recorde pessoal. Então o roteiro pros 21k daqui era conservador: segurar em torno de 1h59, correr de tênis de amortecimento e chegar com as pernas inteiras pro tiro curto da semana que vem.
Deixo isso claro logo no começo porque já vi essa história em canal de corrida virar bravata do tipo “fui destruir”. Não foi. Eu fui pra não me machucar. A ideia era rodar tranquilo.
Só que “tranquilo” foi ficando rápido.
Onze graus na beira do rio
O cenário ajudou a segurar o ritmo cardíaco: 11°C, manhã de inverno do Vale do Itajaí. E correr na beira do rio Itajaí-Açu tem um detalhe que engana, a umidade que sobe da água faz parecer ainda mais frio do que o termômetro diz. Nos primeiros quilômetros a mão gela.
O percurso é dos que dão gosto de correr: praticamente plano (o Garmin marcou só 79 metros de ganho em 21 km), passando pelo Centro e pela cara alemã de Blumenau. Um dos pontos altos é correr por baixo da Ponte de Ferro, o cartão-postal da cidade, com a grade branca do outro lado.
Negative split sem sofrer
Aqui é onde o plano de segurar foi por água abaixo, do jeito bom. Comecei conservador de verdade, na casa dos 5:55 por quilômetro, com a frequência baixa. Como o corpo respondeu leve, fui soltando aos poucos. Não teve ataque, teve liberação progressiva: cada bloco um pouco mais rápido que o anterior, a FC subindo devagar e nunca estourando.
| KM | Pace | FC | KM | Pace | FC |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 5:58 | 128 | 12 | 5:08 | 145 |
| 2 | 5:59 | 135 | 13 | 5:12 | 145 |
| 3 | 5:49 | 136 | 14 | 5:20 | 145 |
| 4 | 5:53 | 132 | 15 | 5:18 | 146 |
| 5 | 5:35 | 140 | 16 | 5:14 | 146 |
| 6 | 5:29 | 140 | 17 | 5:07 | 146 |
| 7 | 5:26 | 142 | 18 | 5:06 | 148 |
| 8 | 5:26 | 141 | 19 | 4:54 | 148 |
| 9 | 5:29 | 142 | 20 | 5:03 | 148 |
| 10 | 5:26 | 140 | 21 | 5:03 | 154 |
| 11 | 5:30 | 141 |
Repara na coluna da direita: a segunda metade inteira abaixo de 5:20, o km 19 a 4:54, e a FC média da prova em 142, máxima de 161. Isso é uma meia corrida bem dentro do limite aeróbio, sem ir pro vermelho. Foi o tipo de dia em que você percebe que a base subiu: o mesmo esforço confortável entrega um pace que meses atrás cobrava caro.
Resultado:
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Tempo chip (líquido) | 1h52’26” (bruto 1h57’07”) |
| Pace médio | 5:20 min/km |
| Colocação geral | 342º |
| Colocação M40-44 | 56º |
| Garmin | 1h53’47” / 21,02 km |
| FC média / máx | 142 / 161 |
| Cadência média | 172 spm |
| Ganho de elevação | 79 m |
| Calorias | 1.635 |
Foi bem abaixo do alvo de 1h59, e a melhor meia do ano. A evolução das três meias de 2026 conta a história sozinha:
| Prova | Data | Tempo |
|---|---|---|
| Meia de BC | 26/04 | 2h00’08” |
| Meia Oakberry Floripa | 03/05 | 1h55’26” |
| Maratona Internacional de Blumenau | 05/07 | 1h52’26” |
Cada meia mais rápida que a anterior, com a última sendo a mais controlada de todas. É exatamente a curva que eu quero ver rumo ao sub-3.
Colete nas costas e Vomero 18 nos pés
Duas escolhas de equipamento contam o espírito da prova.
Corri com colete de hidratação Salomon, carregando a minha própria nutrição em vez de depender só dos postos. Numa prova que eu queria controlar do começo ao fim, ter água e comida no corpo tira variável do jogo.
E fui de Nike Vomero 18, não do tênis de prova. A intenção original era usar o Vomero Plus (meu tênis de amortecimento pra poupar as pernas), mas meu gato fez xixi nele na véspera. Vida real. Troquei pelo Vomero 18, que cumpre o mesmo papel: proteção e conforto pra não detonar as pernas, porque o Megablast e a vontade de competir estão reservados pro 10k de domingo. Correr uma meia inteira de tênis de amortecimento e ainda assim fazer o melhor tempo do ano reforça o quanto essa forma está sólida.
A nutrição da prova
Como carreguei tudo comigo, dá pra registrar exatamente o que entrou: 2 géis da Z2 e 1 Liquidz, todos de tangerina, mais 1 barra sólida da Tricky. A ideia foi alternar gel e algo mastigável pra não enjoar do doce líquido, com a Liquidz entrando como carga mais fluida.
A Z2, aliás, é uma das marcas que ainda estão na fila do Gel por Gel, meu projeto que testa os géis de carboidrato do mercado brasileiro um por um. Correr uma meia com ela na prática é um aperitivo do teste que vem. Ficou de aprendizado pro protocolo: a combinação segurou bem a energia numa prova de quase duas horas, sem baque de estômago.
Organização: muito boa, com três reparos
A 28ª Maratona Internacional de Blumenau entregou uma organização muito boa. Hidratação e isotônico bem distribuídos, percurso muito bem sinalizado, largada e chegada na cara bonita do Centro. Pra uma prova internacional com esse histórico, estrutura à altura.
Três reparos honestos, do tamanho que eles têm:
- A camisa, apesar de boa, traz um logo que parece feito com IA e podia ser mais bem resolvido. Detalhe estético, mas numa prova desse porte a camisa é lembrança que fica.
- A banana da chegada estava meio verde. Bobagem? É, mas depois de 21 km a fruta madura faz diferença.
- A medida do percurso. Vários corredores relataram cerca de 100 metros de diferença no relógio em relação à distância oficial. O meu Garmin fechou 21,02 km, dentro do esperado, mas a queixa apareceu em peso pra merecer registro. Numa prova com pretensão de tempo, os metros contam.
Nada disso estraga a experiência. São ajustes de acabamento numa prova que acerta o principal.
Correr em casa: o CRA e a volta pra Blumenau
Tem uma camada dessa prova que não aparece em nenhum split. Blumenau é onde eu nasci. Morei pouco por lá, saí ainda criança, antes dos 4 anos. Mas origem é origem, e agora, depois dos 40, eu vou voltar: estamos reformando a casa pra morar em Blumenau de novo. Correr os 21k pelo Centro, pela beira do rio e por baixo da Ponte de Ferro foi, sem exagero, correr pra dentro da própria história.
E a cidade me recebeu pela corrida. O engenheiro que toca a reforma da casa também é corredor, e foi ele quem me colocou no grupo dos Corredores de Rua Anônimos, o CRA (@cra.oficial), uma turma de corredores de rua de Blumenau que roda junto desde agosto de 2020. O nome já entrega o espírito: nada de time de elite, nada de vitrine. É gente comum que calça o tênis e vai pra rua, o corredor anônimo de todo dia. Que é, no fundo, a origem desse canal e a minha também.
Fica aqui o meu alô e o meu obrigado ao CRA. Voltar pra cidade onde nasci fazendo a melhor meia do ano, e ainda ser puxado pra um grupo local pela mão de quem está reconstruindo a minha casa, é o tipo de roteiro que a vida escreve melhor do que a gente escreveria. Blumenau não foi só mais uma etapa da temporada. Foi um reencontro, e o começo de uma rotina nova de treino em casa.
O que vem
Blumenau cumpriu o papel que eu não tinha pedido: em vez de só poupar pernas, entregou a melhor meia do ano de brinde, e ainda por cima da forma mais saudável, sem ir pro vermelho. O risco agora é chegar na Corrida da Fischer 60 Anos, no domingo (12/07), em Brusque, com as pernas menos frescas do que o plano previa. Esse 10k é o alvo de recorde pessoal da semana, e foi o preço de um dia bom demais pra segurar.
E o calendário não para aí. Uma semana depois, em 19/07, tem a 4ª Corrida do Atirador, também em Brusque, outro 10k. Mas esse eu vou correr pra curtir, não pra cronômetro: o percurso é dos diferentes, passa por dentro de um túnel e pelo Parque das Esculturas. Só depois disso o foco vira Chapecó (02/08), a próxima etapa da mandala, com os 320 metros de altimetria que Blumenau, plana, não tinha. Mas isso é problema dos próximos relatos. Por ora fica o número que importa: 1h52’26”, a meia mais rápida e mais controlada do ano.
Fontes
- Dados de prova: arquivo
.fitdo Garmin (splits, FC, cadência, elevação, calorias) - Transmissão ao vivo da prova no canal Tênis e Milhas
- Nutrição: géis Z2 e Liquidz (tangerina) e barra sólida Tricky, carregados em colete Salomon
- Team Samuka, assessoria
- CRA — Corredores de Rua Anônimos (@cra.oficial), grupo de corrida de rua de Blumenau, SC, na ativa desde agosto de 2020
- Projeto Gel por Gel, teste dos géis de carboidrato do mercado brasileiro
Imagens:
- Todas as fotos: Maratona Internacional de Blumenau (fotos oficiais da prova)
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